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Fuga e Retorno Triunfal: O Início dos Cem Dias de Napoleão em 20 de Março

Explore a fundo o “20 de março história”: o retorno triunfal de Napoleão a Paris em 1815, marcando o início do Governo dos Cem Dias. Um estudo fascinante de poder e destino!

A história é tecida por momentos decisivos, e poucos eventos ilustram a imprevisibilidade e a capacidade de resiliência de um líder como o “Governo dos Cem Dias” de Napoleão Bonaparte. No cerne desse período extraordinário, encontra-se uma data emblemática: 20 de março de 1815. Este dia não marca apenas o retorno triunfal de Napoleão a Paris após seu exílio na Ilha de Elba, mas simboliza o início de uma audaciosa tentativa de restaurar um império e redefinir o destino da Europa. A relevância do “20 de março história” transcende o anedótico, sendo um estudo fascinante sobre poder, lealdade e a eterna busca por controle geopolítico. Este artigo aprofunda-se nos eventos que culminaram neste retorno, a efervescência de sua breve restauração e o legado indelével deixado para a posteridade.

Contexto Histórico: A Europa Pós-Napoleônica

Para compreender a magnitude dos eventos de 20 de março de 1815, é crucial analisar o cenário europeu pós-queda de Napoleão em 1814. Após anos de guerras que redesenharam o mapa do continente, a Europa buscava uma nova ordem, e a França, em particular, enfrentava um período de transição complexo.

O Exílio em Elba e a Restauração Bourbon

A primeira abdicação de Napoleão Bonaparte, em abril de 1814, o levou ao exílio na pequena Ilha de Elba, no Mediterrâneo, onde permaneceu por nove meses e 21 dias. Este período foi o resultado de uma série de derrotas militares, notadamente o desastre da campanha russa e a formação da Sexta Coligação. Como parte do Tratado de Fontainebleau, Napoleão recebeu a soberania de Elba e manteve seu título de imperador, uma concessão que se provaria um erro estratégico colossal das potências aliadas. Enquanto Napoleão observava os acontecimentos da França, a monarquia Bourbon era restaurada com a ascensão de Luís XVIII ao trono. Contudo, o retorno dos Bourbons não foi recebido com a aclamação esperada. O novo regime demonstrou pouca sensibilidade às mudanças sociais e políticas gestadas pela Revolução Francesa e pelo próprio Império Napoleônico. A elite que retornava com o rei, composta por antigos nobres e monarquistas, muitas vezes tratava os veteranos da Grande Armée e a população em geral com desdém, gerando intensa insatisfação. A exigência de devolução de terras confiscadas durante a Revolução Francesa pelos camponeses gerou revoltas e perseguições, alimentando ainda mais o descontentamento popular.

O Congresso de Viena

Paralelamente à impopular Restauração Bourbon, as principais potências europeias – Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia – estavam reunidas em Viena desde setembro de 1814 para reorganizar o mapa político do continente e estabelecer um novo equilíbrio de poder. O Congresso de Viena tinha como objetivo principal restaurar o Antigo Regime e conter a expansão francesa, buscando criar um sistema que prevenisse futuras guerras e o surgimento de figuras como Napoleão. A notícia da fuga de Napoleão de Elba “cai como uma bomba em Viena”, interrompendo as deliberações e forçando os dignitários a enfrentar a ameaça de um retorno imperial. Em 13 de março, sete dias antes da entrada de Napoleão em Paris, as potências em Viena declararam Bonaparte um “fora da lei”, formando imediatamente a Sétima Coligação contra ele.

A Fuga Audaciosa de Elba

A decisão de Napoleão de fugir de Elba não foi impulsiva, mas calculada, motivada pela crescente impopularidade dos Bourbons e pelas tensões no Congresso de Viena, que ele acompanhava de perto.

O Plano e a Execução

Na noite de 26 de fevereiro de 1815, Napoleão executou seu plano audacioso. Com aproximadamente mil homens de sua guarda pessoal, ele escapou silenciosamente da Ilha de Elba. Utilizando uma pequena frota, ele evitou os navios de patrulha britânicos e desembarcou em Golfe-Juan, na costa sul da França, em 1º de março de 1815. Este ato, por si só, demonstrava a ousadia e a determinação que marcaram sua carreira.

A Marcha Triunfal: De Golfe Juan a Paris

A marcha de Napoleão em direção a Paris é um dos episódios mais dramáticos e reveladores de sua história. Ele optou por uma rota mais difícil através dos Alpes, evitando a região do Vale do Ródano, onde temia sentimentos monarquistas mais fortes. Ao invés de uma invasão, a jornada se transformou em uma procissão triunfal, à medida que a população e, crucialmente, os militares se uniam à sua causa.

  • O Apelo aos Soldados: Em 5 de março de 1815, Napoleão proferiu um de seus discursos mais famosos. Ao encontrar as tropas enviadas para detê-lo, ele se expôs, exortando-os: “Soldados do 5º, sou vosso Imperador, reconhecei-me! Se há entre vós um soldado que queira matar seu imperador, estou aqui!”. Nenhum soldado se atreveu a atirar; pelo contrário, muitos jogaram suas armas e o aclamaram, juntando-se a ele.
  • A Adesão Militar: À medida que avançava, o exército de Napoleão crescia exponencialmente. O Marechal Ney, conhecido como “o mais bravo dos bravos”, havia prometido a Luís XVIII trazer Napoleão “em uma gaiola de ferro”. No entanto, ao confrontar seu antigo comandante em Lons-le-Saulnier, em 14 de março, Ney e seu exército de 6.000 homens renderam-se à retórica e ao carisma de Napoleão, unindo-se a ele.
  • Cidades Chave: A marcha passou por cidades como Grenoble, onde a resistência inicial foi rapidamente superada, e Lyon, onde a recepção foi entusiástica. Cada cidade marcava uma vitória simbólica e a contínua recuperação de seu poder e influência.

Em menos de um mês, sem disparar um único tiro significativo contra seus compatriotas, Napoleão havia percorrido a França, revertendo sua sorte de exilado a líder de um crescente exército.

O Retorno a Paris: 20 de Março de 1815

O ponto culminante dessa jornada extraordinária foi a entrada de Napoleão em Paris, um evento que ecoaria na história como um dos retornos mais notáveis de todos os tempos. Esta data, 20 de março, possui um significado especial, sendo o quarto aniversário de seu filho, Napoleão François Charles Joseph Bonaparte.

A Reação Popular e Militar

A aproximação de Napoleão à capital francesa gerou uma onda de entusiasmo e pânico. Enquanto as autoridades monarquistas entravam em desespero, a população parisiense e os remanescentes das forças armadas demonstraram uma lealdade esmagadora ao Imperador. Cânticos e slogans revolucionários reapareceram, e a atmosfera de Paris se tornou crescentemente antimonarquista. O apoio popular, alimentado pela insatisfação com a Restauração Bourbon, foi um fator crucial para a facilidade com que Napoleão recuperou o poder.

A Queda de Luís XVIII e a Chegada de Napoleão

Pressionado pela marcha imparável de Napoleão e pela crescente agitação em Paris, Luís XVIII fugiu da cidade na noite de 19 de março de 1815, buscando refúgio em Ghent, na Bélgica. Sua partida abriu caminho para a entrada de Bonaparte. Assim, na tarde de 20 de março de 1815, Napoleão Bonaparte fez sua grandiosa entrada no Palácio das Tulherias em Paris, sendo recebido por uma multidão jubilosa e por seus soldados, que o aclamavam como Imperador. Este evento marcou o início de um período que viria a ser conhecido como os “Cem Dias”, um total de 110 dias, até a segunda restauração de Luís XVIII em 8 de julho de 1815.

A Proclamação do Segundo Império

Ao reassumir o poder, Napoleão buscou consolidar sua posição. Ele emitiu um perdão geral a todos que haviam apoiado a monarquia e suspendeu as instituições monárquicas. Rapidamente, ele iniciou a mobilização geral para preparar o país para a guerra inevitável que se anunciava, ciente de que as potências europeias não aceitariam seu retorno. Ele também fez mudanças liberais na Constituição Imperial para ampliar seu apoio. Este foi um momento de intensa atividade e de uma corrida contra o tempo para Napoleão.

Os Cem Dias e o Legado de Napoleão

Apesar da retumbante vitória inicial de sua chegada a Paris, o destino de Napoleão nos Cem Dias era precário, marcado pela formação da Sétima Coligação e pela eventual derrota em Waterloo.

As Medidas Iniciais e o Apoio Popular

No curto período de seu retorno, Napoleão tentou restaurar a estabilidade interna e garantir o apoio popular. Ele procurou apresentar-se como um defensor da paz, embora soubesse que a guerra era iminente. Suas reformas e a promessa de estabilidade ressoavam com uma parte da população francesa, cansada das incertezas pós-revolucionárias e da impopularidade dos Bourbons. Ele reorganizou o exército, chamando veteranos e conscritos, elevando o número de suas tropas para cerca de 290.000 homens.

A Resposta das Potências Europeias

A reação das potências europeias foi rápida e unificada. Em 25 de março, Áustria, Prússia, Rússia e Reino Unido, as quatro grandes potências da Sétima Coligação, comprometeram-se a mobilizar 150.000 homens cada para derrubar o governo de Napoleão. O objetivo era claro: remover Napoleão do trono de uma vez por todas. A possibilidade de um retorno duradouro era vista como uma ameaça inaceitável à ordem europeia estabelecida em Viena.

A Batalha de Waterloo e o Fim Definitivo

A inevitabilidade do conflito levou Napoleão a uma campanha militar na atual Bélgica. Ele tentou derrotar os exércitos da Coalizão separadamente antes que pudessem se unir. As batalhas de Quatre Bras e Ligny, em 16 de junho de 1815, foram as primeiras escaramuças, com Napoleão vencendo os prussianos em Ligny e o Marechal Ney enfrentando Wellington em Quatre Bras. Contudo, a vitória não foi decisiva o suficiente. O confronto final ocorreu em 18 de junho de 1815, na Batalha de Waterloo. Nesse embate decisivo, o exército francês enfrentou as forças britânicas e aliadas lideradas pelo Duque de Wellington, juntamente com as tropas prussianas de Gebhard von Blücher. Uma série de erros estratégicos, o desgaste das tropas francesas e a coordenação superior das forças aliadas levaram à derrota esmagadora de Napoleão. Após a derrota em Waterloo, Napoleão abdicou pela segunda e última vez. Incapaz de permanecer na França ou escapar dela, ele se rendeu ao Capitão Frederick Maitland do HMS Bellerophon em 15 de julho de 1815. Desta vez, seu exílio foi muito mais distante, na remota ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, onde permaneceria como prisioneiro até sua morte em maio de 1821.

20 de Março na História: Relevância Duradoura

O 20 de março de 1815 e os Cem Dias que se seguiram são mais do que um capítulo da biografia de Napoleão; eles são um marco na história mundial.

Lições de Liderança e Resiliência

A fuga de Elba e a marcha sobre Paris são um testemunho da extraordinária carisma e capacidade de liderança de Napoleão. Sua habilidade em mobilizar o apoio popular e militar apenas com sua presença e suas palavras é um fenômeno histórico. Revela a força da sua figura e a fragilidade dos regimes que se tentavam impor sem a devida legitimidade popular. A resiliência demonstrada por Napoleão em tentar recuperar o poder após o exílio, mesmo contra todas as probabilidades, oferece uma lição sobre a tenacidade humana, independentemente do juízo moral sobre suas ações.

O Impacto na Geopolítica Europeia

Os Cem Dias, iniciados em 20 de março, tiveram um impacto profundo na geopolítica europeia. O evento reforçou a determinação das potências do Congresso de Viena em criar um sistema de segurança coletiva para evitar o ressurgimento de ameaças à ordem monárquica. O “Concerto da Europa” emergiu como um modelo de equilíbrio de poder e diplomacia, moldando as relações internacionais por décadas. A derrota final de Napoleão em Waterloo consolidou o fim da Era Napoleônica e abriu caminho para uma nova era de reorganização territorial e política no continente.

Evento DataSignificado
Fuga de Elba 26 de fevereiro de 1815Início da tentativa de retorno de Napoleão.
Desembarque em Golfe-Juan1º de março de 1815Ponto de partida da marcha sobre Paris.
Adesão do Marechal Ney14 de março de 1815Demonstração do carisma e influência militar de Napoleão.
Declaração de Napoleão como fora da lei13 de março de 1815Resposta das potências europeias no Congresso de Viena.
Fuga de Luís XVIII19 de março de 1815Colapso da monarquia Bourbon antes da chegada de Napoleão.
Entrada Triunfal em Paris20 de março de 1815Início do Governo dos Cem Dias.
Formação da Sétima Coligação25 de março de 1815 União das potências para derrubar Napoleão definitivamente.
Batalha de Waterloo18 de junho de 1815Derrota final de Napoleão e fim dos Cem Dias.

Conclusão

O “20 de março história” é uma data que encapsula a dramática reviravolta dos Cem Dias de Napoleão. É um lembrete vívido da figura monumental que foi Napoleão Bonaparte, um homem capaz de inspirar lealdade fervorosa e de desafiar as potências europeias mesmo após sua aparente queda. Sua fuga de Elba e seu retorno triunfal a Paris representam um dos mais espetaculares episódios de uma carreira já lendária, demonstrando a inquebrantável ambição e o carisma político que o tornaram uma das figuras mais estudadas da história. Embora seu último reinado tenha sido efêmero, os eventos que se iniciaram em 20 de março de 1815 deixaram uma marca indelével, não apenas na França, mas na estruturação política e militar de toda a Europa.

Chamada para Ação (CTA)

A saga dos Cem Dias oferece uma perspectiva única sobre a liderança, a estratégia e as forças que moldam o destino das nações. Que outros momentos históricos, em 20 de março ou em outras datas, você considera cruciais para a compreensão da história mundial? Compartilhe sua opinião nos comentários e aprofunde-se nos fascinantes eventos que continuam a influenciar nosso presente.

Fontes

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Elias Júnior

Writer & Blogger

História em Dia é um blog dedicado a quem acredita que compreender o passado é essencial para entender o presente. Todos os dias, apresentamos cinco acontecimentos históricos marcantes que ocorreram na mesma data, em diferentes épocas — desde eventos políticos e descobertas científicas até marcos culturais e curiosidades do mundo antigo e moderno.

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